Alexander Gieg: Polêmicas!

O que se passa na minha mente, e algo mais.

Sábado, 12 de Abril de 2008

Proibição de Imagens

Para nós é bastante difícil entender as razões que levam às fortes restrições à produção de imagens de pessoas e seres vivos nas religiões monoteístas. Mas um pouco de Filosofia pode ajudar.

Em todos os povos, em todas as épocas, com a única exceção dos europeus a partir do século XV e daqueles por eles influenciados, o que atualmente inclui a maior parte do planeta, a mente humana sempre foi considerada passiva. O mundo era o elemento ativo, informando continuamente sua existência, suas características, sua realidade, a tudo e a todos. Conseqüentemente, ninguém "tinha" ou "produzia" idéias. Pelo contrário, quem expressava idéias eram as próprias coisas. Nosso papel de elementos passivos era apenas o de receber das coisas as Idéias — com "i" maiúsculo — das quais elas participam. Assim, por exemplo, ao ver um cavalo ou uma cadeira você não apenas recebia estímulos visuais (as cores, os formatos, a posição etc.), mas também recebia delas sua natureza de cavalo, sua natureza de cadeira etc. É como se dispuséssemos de um sexto-sentido capaz de perceber que aquela coisa é aquela coisa, e não outra.

Essas concepções formavam a base tanto do senso comum quanto da Filosofia antiga. E é dela que vem a melhor justificação racional da condenação da arte figurativa. Segundo Platão, no topo da hierarquia das Idéias está a Idéia de Bem, da qual tudo que é belo, e bom, e verdadeiro, participa. A rigor, somente a própria Idéia de Bem é rigorosamente boa, já que tudo o mais, inclusive as demais Idéias, no máximo "participa" de Idéia de Bem, sem no entanto ser ela. O que é o mal, pois, dentro dessa perspectiva? Nada mais, nada menos, do que o afastamento do Bem. O que nos leva a duas conseqüências: a) quanto mais distante algo estiver da Idéia de Bem, pior esse algo será; b) pode-se pensar esse afastamento como uma hierarquia. Observe, portanto, o que ocorre:

  • Temos no primeiro nível a própria Idéia de Bem. Ela é, por definição, a única total e completamente Boa.
  • Logo em seguida vêm as demais Idéias, como a de Grande, Cavalo, Triângulo, Humano, Vida e assim por diante. Elas todas participam quase que imediatamente da Idéia de Bem, além de serem imutáveis, eternas, imortais etc. Podemos dizer que estão a um grau de distância do Puro Bem.
  • Abaixo das Idéias temos o mundo concreto das coisas que nos cercam. Todas as coisas concretas participam de várias Idéias. Um ser humano é, por exemplo, participante das Idéias de Humano, Razão, Vida e muitas outras. Mas ele também participa das limitações do tempo e do espaço, crescendo, se movendo, envelhecendo, morrendo. Por serem participantes das idéias, pois, todas as coisas concretas são participantes indiretas da Idéia de Bem. Elas estão, por assim dizer, a dois graus de distância do Puro Bem.
  • E abaixo das coisas? Aqui temos tudo aquilo que participa apenas das coisas concretas, e não das Idéias que dão origem às coisas. É o reino da arte figurativa por excelência. Por quê? Porque quando um pintor pinta uma cama, ele está imitando aquela cama concreta, daquele quarto concreto, e não a própria Idéia de Cama. A arte figurativa, conseqüentemente, está a três graus de distância do Puro Bem.

Portanto, se o objetivo do Filósofo é o de promover o Bem, ele não pode ver valor na arte figurativa. Muito mais vale pô-la de lado e insistir com os homens para que se foquem na realidade concreta. Ou, melhor ainda, que se foquem no próprio mundo das Idéias, de onde as coisas que consideramos concretas obtém sua realidade. Afinal, na concepção clássica as Idéias são não apenas melhores, mas também mais reais do que todas aquelas coisas que meramente participam delas e as imitam, mesmo porque o Real também é uma Idéia que participa da Idéia de Bem.

O que não significa que todo tipo de arte é interdita. Para Platão, se um quadro busca representar não uma coisa, mas sim uma Idéia, ela é legítima. Um exemplo que ele próprio menciona é a antiga arte grega, desaparecida em sua época, e a arte egípcia. Por quê? Porque em ambas as imagens humanas são sempre, por assim dizer, "genéricas", bidimensionais, e rigorosamente idênticas umas às outras, constituindo-se portanto perfeitos símbolos da Idéia Ser Humano, e não deste ou daquele ser humano em particular.

Sabendo portanto como Platão entende a questão, ele que provavelmente nunca ouviu falar do Judaísmo, ainda que tenha sido provavelmente o primeiro monoteísta grego em sentido estrito, observemos agora o que, precisamente, o Antigo Testamento proíbe:

"Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra." (Êxodo 20:4)

Dada a explicação acima, como não ver que se trata da mesma interdição platônica, e até da mesma exceção? A arte figurativa que tenta imitar coisas ("semelhança do que há em..."), esta não pode. Já a arte que busca representar o mundo das Idéias, como por exemplo no desenho de figuras geométricas, nada contra.

No Islã o princípio é o mesmo:

Como contado por Aisha (a esposa do Profeta):
Comprei uma almofada com figuras (de animais) nela. Quando o Apóstolo de Deus a viu, ficou parado na porta e não entrou. Notei os sinais de desaprovação em sua face e disse-lhe, "Ó Apóstolo de Deus! Arrependo-me diante de Deus e Seu Apóstolo! Que pecado cometi?" O Apóstolo de Deus respondeu, "O que é esta almofada?" Eu disse, "Comprei-a para ti de modo que possas sentar-te nela em reclinares nela." O Apóstolo de Deus disse, "Aqueles que fizeram estas imagens serão punidos no Dia da Ressurreição, e ser-lhes-á dito, 'Dai vida ao que criastes.'" O Profeta acrescentou, "O Anjo da (Misericórdia) não adentra a casa em que existam figuras (de animais)."
(Bukhari, Volume 7, Livro 62, Hadith 110)

Assim como o é no Cristianismo, cujas vertentes tradicionais, seja o Catolicismo Romano medieval, seja a Igreja Ortodoxa, seja a Igreja Copta, tomam o cuidado de sempre desindividualizar toda e qualquer imagem figurativa de modo a não incorrer nem na proibição bíblica, nem na interdição platônica. Como bem explicou ontem um amigo meu, cristão ortodoxo, uma iluminura ortodoxa pode conter o desenho de alguns prédios para indicar que o cenário é uma cidade, mas será sempre apenas o número suficiente de prédios para indicar que se trata da Idéia de Cidade, nunca desta cidade em particular, e os próprios prédios serão distorcidos, para indicar que se tratam da Idéia de Prédio, e não deste ou daquele prédio em particular. Idem para humanos, animais, plantas, terrenos etc.

Agora, voltando a Platão: assim como há um terceiro grau de afastamento, também podemos supor que há um quarto grau, um quinto grau, um sexto grau e assim por diante. Desconfio que se ele voltasse à vida e tomasse conhecimento do que se entende hoje em dia por arte, sua reação seria do mais absoluto horror. Afinal, se a arte que ele critica é a que busca imitar coisas concretas, o que ele não diria, por exemplo, da arte impressionista, que busca expressar uma impressão subjetiva de uma coisa concreta? Ou da moderna arte abstrata, que busca expressar uma percepção particular de um estado subconsciente influenciado por impressões subjetivas? Ou pior ainda, de uma análise desconstrucionista de uma tal arte? Sem dúvida lhes atribuiria os graus subseqüentes, e viraria o rosto em desgosto.

Seja como for, por mais estranhas que nos soem tais proibições e restrições não são nem aleatórias, nem irracionais. Há fortes e sólidas razões por trás delas, ainda que a maioria de seus praticantes as ignorem. Bem entendidas, o desgosto se vai, e se não chegamos à aceitá-las para nós, pelo menos passamos a compreendê-las, e àqueles que as seguem.

Isso, por si só, já vale todo o esforço.

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Terça-feira, 5 de Fevereiro de 2008

Carnaval

Aproveitando a data, nada melhor do que um esclarecedor texto de René Guénon:

Sobre a Significação das Festas Carnavalescas*

In: "Os Símbolos da Ciência Sagrada", 9ª edição. Trad. J. Constantino Kairalla Riemma. São Paulo: Pensamento, 1993. Cap. 21, pp. 126-130.

A propósito de certa "teoria da festa" formulada por um sociólogo, assinalamos1 que essa teoria tinha, entre outros defeitos, o de querer reduzir todas as festas a um só tipo, que constitui o que se poderia denominar festas "carnavalescas", expressão que nos parece bastante clara por ser facilmente compreendida por todo mundo, pois o carnaval representa na verdade o que delas subsiste ainda hoje no Ocidente. Dizíamos, então, que se apresentam, em temas desse gênero, questões dignas de um exame mais aprofundado. De fato, o que sempre se evidencia nelas, antes de tudo, é uma impressão de "desordem" no sentido mais amplo da palavra. Como explicar então a existência dessas festas, não só numa época como a nossa, em que se poderia considerá-las simplesmente como uma das inúmeras manifestações do desequilíbrio geral, mas também, e mesmo com maior desenvolvimento, nas civilizações tradicionais, com as quais parecem incompatíveis à primeira vista?

Não é inútil citar aqui alguns exemplos precisos. Mencionaremos em primeiro lugar, a esse respeito, certas festas com caráter bem estranho celebradas na Idade Média: a "festa do jumento", em que esse animal, cujo simbolismo propriamente "satânico" é bem conhecido em todas as tradições,2 era introduzido até mesmo no próprio coro da igreja, onde ocupava o lugar de honra e recebia as mais extraordinárias provas de veneração; e a "festa dos loucos", em que o baixo clero entregava-se às piores inconveniências, parodiando tanto a hierarquia eclesiástica, quanto a própria liturgia.3 Como é possível explicar que tais coisas, cujo caráter mais evidente é sem dúvida de paródia e até mesmo de sacrilégio,4 tenham podido, numa época como aquela, ser não só toleradas, mas até mesmo admitidas de certa forma oficialmente?

Mencionaremos ainda as Saturnais dos antigos romanos, das quais o carnaval moderno parece ter derivado diretamente, ainda que seja apenas, para dizer a verdade, um vestígio muito empobrecido: durante essas festas, os escravos davam ordens aos senhores e estes os serviam;5 tinha-se então a imagem de um verdadeiro "mundo invertido", onde tudo se fazia ao contrário da ordem normal.6 Ainda que se pretenda comumente que havia nessas festas uma evocação da "idade de ouro", essa interpretação é inteiramente falsa, por completo, pois não se trata de uma espécie de "igualdade" que poderia ser vista a rigor como representativa, na medida em que o permitem as condições presentes,7 da indiferenciação primitiva das funções sociais; trata-se de uma inversão das relações hierárquicas, o que é inteiramente diferente. Uma tal inversão constitui-se, de modo geral, numa das características mais claras do "satanismo". É preciso, portanto, ver nelas algo mais relativo ao aspecto "sinistro" de Saturno, que por certo não lhe pertence enquanto deus da "idade do ouro", mas sim na medida em que hoje é apenas o deus decaído de um período encerrado.8

Podemos ver, por exemplo, que existe invariavelmente nas festas desse gênero um elemento "sinistro" e mesmo "satânico", e que, de modo especial, é precisamente esse elemento que agrada ao vulgar e excita a sua satisfação. Aí está, com efeito, alguma coisa que é muito apropriada, muito mais que outra qualquer, para satisfazer às tendências do "homem decaído", na medida em que essas tendências o impelem a desenvolver sobretudo as possibilidades mais inferiores de seu ser. É nisso em particular que reside a verdadeira razão de ser das festas em questão. Trata-se, em suma, de "canalizar", de algum modo, essas tendências e de torná-las tão inofensivas quanto possível, dando-lhes ocasião de se manifestarem, mas somente durante períodos muito curtos e em circunstâncias bem determinadas, estabelecendo, assim, para essa manifestação, limites estreitos que não é permitido ultrapassar.9 Se não fosse assim, essas mesmas tendências, por falta de receberem o mínimo de satisfação exigida pelo estado atual da humanidade, correriam o risco de explodir, se pudermos assim dizer,10 e estender seus efeitos à existência inteira, coletiva e individual, causando uma desordem muito mais grave do que a que se produz apenas durante alguns dias especialmente reservados a esse fim, e que é muito menos temível por estar como que "regularizada". Por um lado, esses dias estão colocados em certa medida fora do curso normal das coisas, de modo que não exerce sobre ele qualquer influência apreciável, e no entanto, por outro, o fato de que não existe aí nada de imprevisto "normaliza" de certa forma a própria desordem e a integra na ordem total.

Além dessa explicação geral, que é evidente quando se está disposto a refletir, existem algumas observações úteis que podem ser feitas, em particular no que diz respeito às "mascaradas", que desempenham um papel importante no carnaval propriamente dito e em outras festas mais ou menos similares. E essas observações confirmarão ainda o que acabamos de dizer. De fato, as máscaras de carnaval são em geral hediondas e evocam com freqüência formas animais ou demoníacas, de modo que são como que uma espécie de "materialização" figurativa dessas tendências inferiores, até mesmo "infernais", que então é lícito exteriorizar. Mais ainda, cada um escolherá naturalmente, mesmo sem ter consciência clara disso, aquela que melhor lhe convém, isto é, aquela que representa o que está mais de acordo com suas tendências dessa ordem. Assim, poderíamos dizer que a máscara, supostamente destinada a ocultar o verdadeiro rosto do indivíduo, faz, ao contrário, aparecer aos olhos de todos o que ele traz em si na verdade, mas que de hábito deve dissimular. É bom notar, pois isso esclarece ainda mais a natureza de tais fatos, que existe aí uma espécie de paródia da "reversão" que, tal como explicamos em outro lugar,11 produz-se num certo grau do desenvolvimento iniciático; paródia, dizíamos, e contrafacção verdadeiramente "satânica", pois nesse caso a "reversão" é uma exteriorização, não mais da espiritualidade, mas sim, pelo contrário, das possibilidades inferiores do ser.12

Para terminar esse esboço, acrescentaremos que se as festas dessa espécie estão-se reduzindo cada vez mais, e só parecem despertar o interesse do povo, é porque, numa época como a nossa, elas perderam na verdade sua razão de ser.13 De fato, como se poderia tratar ainda de "circunscrever" a desordem e encerrá-la em limites rigorosamente definidos, quando está espalhada por toda parte e se manifesta sem cessar em todos os domínios em que se exerce a atividade humana? Se nos mantivermos presos às aparências exteriores e a um ponto de vista simplesmente "estético", poderíamos ser tentados a nos congratular com o desaparecimento quase completo dessas festas, em especial pelo aspecto "disforme" de que se revestem, como é inevitável. Mas essa desaparição, ao contrário, quando se vai ao fundo das coisas, constitui-se em sintoma muito pouco tranqüilizador, pois revela que a desordem irrompeu em todo curso da existência e se generalizou a tal ponto que, pode-se dizer, estamos na realidade vivendo um sinistro e "eterno carnaval".

Notas:

* Publicado na revista Études Traditionnelles, dez. 1945.
1. Ver a revista É.T., abr. 1940, p. 169.
2. Seria um erro querer opor a isso o papel desempenhado pelo jumento na tradição evangélica, pois, na realidade, o boi e o jumento, colocados lado a lado na manjedoura em que Cristo nasceu, simbolizam respectivamente o conjunto das forças benéficas e maléficas; tornamos a encontrá-los na crucificação, sob a forma do bom e do mau ladrão. Por outro lado, Cristo montado num jumento, sua entrada em Jerusalém, representa o triunfo sobre as forças maléficas, triunfo esse que se constitui na própria "redenção".
3. Esses "loucos", aliás, levavam um chapéu com orelhas compridas, claramente destinadas a evocar a idéia de uma cabeça de jumento, traço este que é muito significativo do ponto de vista em que nos colocamos.
4. O autor da teoria a que nos referimos reconhece a existência dessa paródia e do sacrilégio, porém, atribuindo-os ao seu conceito de "festa" em geral, pretende que sejam elementos característicos do próprio "sagrado", o que não só é um paradoxo exagerado, mas, também, é preciso dizer, claramente, uma contradição pura e simples.
5. Encontram-se, inclusive, em países muito diferentes, casos de festas do mesmo gênero em que se chegava a conferir, temporariamente, a um escravo ou um criminoso as insígnias da realeza, com todo o poder que comportam, com a ressalva de dar-lhe morte assim que a festa terminasse.
6. O mesmo autor fala também, a esse respeito, de "atos às avessas" e mesmo de "retorno ao caos", o que contém ao menos uma parte da verdade, mas, por uma surpreendente confusão de idéias, assimila o caos à "idade de ouro".
7. Referimo-nos às condições do Kali-Yuga ou da "idade de ferro", da qual a época romana e a nossa fazem parte.
8. Que os antigos deuses tornam-se, de uma certa forma, demônios, é um fato constatado com grande freqüência, e a atitude dos cristãos em relação aos deuses do "paganismo" é um caso particular disso, mas que parece não ter sido jamais explicado como deveria. Não podemos, contudo, insistir sobre este ponto, que nos levaria fora do nosso tema. Deve ficar bem entendido que isso tudo se refere apenas a certas condições cíclicas, mas que não afeta ou modifica em nada o caráter essencial desses mesmos deuses enquanto simbolizam intemporalmente princípios de ordem supra-humana, de modo que, ao lado desse aspecto maléfico acidental, o aspecto benéfico, apesar de tudo, subsiste sempre, até mesmo quando completamente desconhecido pelas "pessoas de fora". A interpretação astrológica de Saturno poderia fornecer um exemplo muito claro a esse respeito.
9. Isso corresponde à questão do "enquadramento" simbólico, à qual nos propomos voltar. [Ver cap. 66.]
10. No fim da Idade Média, quando as festas grotescas de que falávamos foram suprimidas ou caíram em desuso, produziu-se uma expansão da feitiçaria desproporcional ao que se havia visto nos séculos precedentes. Esses dois fatos têm uma relação muito direta entre si, ainda que geralmente despercebida, o que é, aliás, mais surpreendente na medida em que existem algumas semelhanças evidentes entre tais festas e o sabá dos bruxos, em que tudo se fazia também "às avessas".
11. Ver Initiation et réalisation spirituelle, cap. XXX: L'Esprit est-il dans le corps ou le corps dans l'esprit?
12. Havia ainda, em certas civilizações tradicionais, períodos especiais em que, por razões análogas, permitia-se que as "influências errantes" se manifestassem livremente, tomando-se no entanto todas as precauções necessárias em tais casos. Essas influências correspondem, naturalmente, na ordem cósmica, ao que é o psiquismo inferior no ser humano e, por conseguinte, entre a sua manifestação e as influências espirituais existe a mesma relação inversa que entre as duas espécies de exteriorização que acabamos de mencionar. Afinal, nessas condições, não é difícil compreender que a própria mascarada parecer figurar, de certo modo, o aparecimento de "larvas" ou espectros maléficos.
13. Isso quer dizer que, para falar claro, elas são apenas "superstições", no sentido etimológico da palavra.

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