Fragilidade

Ontem, sábado, dia 6, a vizinha da casa ao lado tropeçou e caiu em frente à sua casa, batendo a cabeça na quina da calçada. Morte instantânea. Deixa marido, filhos adultos e netinhos.

Fora a grande tristeza que nos bate quando acontecimentos assim ocorrem tão próximos, eles também nos oferecem motivos para refletirmos sobre a fragilidade do ser humano. Poderoso, resistente, desafiador, apto a sobreviver diante da força implacável dos elementos que a tudo destrói, a se reerguer após a tragédia e pôr-se a tudo reconstruir, como vimos vendo em Santa Catarina nas últimas semanas, ainda assim basta-lhe um minúsculo passo em falso, uma pequena queda de menos de um metro e meio, para sua vida se esvair e seus sonhos e esperanças se encerrarem. Como conciliar a aparente contradição? Não há meio. A vida humana é pura ambigüidade existencial.

Tenho pena também de outros vizinhos, os da casa em frente. Ontem também foi dia de casamento para um e de festa para todos. Pode imaginar? Todo aniversário de casamento lembrar que também fazem exatamente tantos anos que aquela simpática senhora faleceu? Levar esse fardo pelo resto da vida a dois? Que triste ironia, meu Deus!

Mas c’est la vie. Ordem e caos, bem e mal, acertos e erros, mesclados uns aos outros, por vezes sob o signo de alguma direção oculta que vislumbramos nas entrelinhas dos acontecimentos, noutras tantas sob a certeza da mais pura arbitrariedade. Em todo caso, sempre e invariavelmente, irredutível a toda e qualquer simplificação.

Carpe diem. Memento mori. É o que de melhor podemos fazer.