Relacionamentos

Conversando com um amigo sobre relacionamentos amorosos, eu que não tenho experiências próprias no assunto, ele que as tem, os dois em certa medida estudiosos acadêmicos do assunto e adeptos de uma leitura um tanto quanto biologista da coisa, nós chegamos (mais ele do que eu, mas tendo a concordar) a uma hipótese curiosa, no melhor estilo filosofia de botequim.

Em resumo, a impressão que temos é que um indivíduo, homem ou mulher, consegue com naturalidade um parceiro que tenha uma quantidade semelhante de atributos positivos. Grosso modo, se por “atributos positivos” entendermos “beleza”, “inteligência” e “riqueza”, alguém com apenas um deles conseguiria facilmente um parceiro: a) bonito, mas burro e pobre; b) inteligente, mas feio e pobre; ou c) rico, mas feio e burro. Há exceções, claro, e a lista de atributos não se esgota nesses três (podemos imaginar ainda carisma, coragem, poder, maturidade etc.), nem todos têm o mesmo peso. Mas ainda assim, a evidência anedotal parece indicar que a regra geral é essa.

O corolário evidente é que, para obter um parceiro com dois atributos, ou três, ou quatro etc., o interessado quase que fatalmente terá que também desenvolver um segundo atributo positivo, e um terceiro, e um quarto etc. Tirando algum raro lance de sorte, não há muita escapatória.

Portanto, quem anda frustrado por não encontrar o “parceiro ideal” talvez devesse verificar se ele mesmo seria um “parceiro adequado” para essa pessoa idealizada. E se a resposta for não, de duas uma: ou reduzir as expectativas até um patamar sensato, ou dar um jeito de se elevar aos pré-requisitos necessários. Qualquer outra alternativa poderá até soar romântica, mas será irrealista.