Alexander Gieg: Polêmicas!

O que se passa na minha mente, e algo mais.

domingo, 18 de outubro de 2009

GeoCities: o fim

Eita! 10 meses desde meu último post. Como o tempo voa!

Bem, como muitos devem saber, o Yahoo! pretende desativar seu antigo serviço de hospedagem gratuito, o GeoCities, dentro de uma semana. Embora pelos padrões atuais seja um serviço bastante ultrapassado, vai deixar saudades para quem usa a Internet a muito. Foi lá que muita gente, inclusive eu, criou seus primeiros sites, e há ainda muitas relíquias dos anos 1990 no serviço. Tantas, de fato, que o pessoal do TextFiles.com está fazendo um trabalho hercúleo para copiar tudo antes que o conteúdo desapareça em definitivo. Eles têm até o dia 26 de outubro. Tomara que consigam.

Já eu fiz minha pequena parte copiando e redirecionando meu antigo site da GeoCities para cá. Quem tiver interesse, clique aqui.

Adiós, GeoCities! Para bem ou para mal, a Internet de hoje não seria a mesma sem você!

Marcadores: , , ,

domingo, 7 de dezembro de 2008

Fragilidade

Ontem, sábado, dia 6, a vizinha da casa ao lado tropeçou e caiu em frente à sua casa, batendo a cabeça na quina da calçada. Morte instantânea. Deixa marido, filhos adultos e netinhos.

Fora a grande tristeza que nos bate quando acontecimentos assim ocorrem tão próximos, eles também nos oferecem motivos para refletirmos sobre a fragilidade do ser humano. Poderoso, resistente, desafiador, apto a sobreviver diante da força implacável dos elementos que a tudo destrói, a se reerguer após a tragédia e pôr-se a tudo reconstruir, como vimos vendo em Santa Catarina nas últimas semanas, ainda assim basta-lhe um minúsculo passo em falso, uma pequena queda de menos de um metro e meio, para sua vida se esvair e seus sonhos e esperanças se encerrarem. Como conciliar a aparente contradição? Não há meio. A vida humana é pura ambigüidade existencial.

Tenho pena também de outros vizinhos, os da casa em frente. Ontem também foi dia de casamento para um e de festa para todos. Pode imaginar? Todo aniversário de casamento lembrar que também fazem exatamente tantos anos que aquela simpática senhora faleceu? Levar esse fardo pelo resto da vida a dois? Que triste ironia, meu Deus!

Mas c'est la vie. Ordem e caos, bem e mal, acertos e erros, mesclados uns aos outros, por vezes sob o signo de alguma direção oculta que vislumbramos nas entrelinhas dos acontecimentos, noutras tantas sob a certeza da mais pura arbitrariedade. Em todo caso, sempre e invariavelmente, irredutível a toda e qualquer simplificação.

Carpe diem. Memento mori. É o que de melhor podemos fazer.

Marcadores: , ,

domingo, 12 de outubro de 2008

Teste Flickr

153.jpg
153.jpg
Originally uploaded by Alexander Gieg

Para testar a integração entre o Flickr e o Blogger, uma visitinha que minha tia Ruth recebeu durante o almoço uns anos atrás.

Marcadores: ,

sábado, 26 de julho de 2008

O que é a Filosofia?

Uma das mais belas respostas que conheço à questão do título são as duas páginas que, sob este título, formam a introdução ao genial livrinho de Mário Ferreira dos Santos, Convite à Filosofia e à História da Filosofia. Vale a pena compartilhá-la:

O QUE É A FILOSOFIA?

Em suas longas e demoradas especulações através dos séculos, tem o homem constantemente perguntado. E as respostas às magnas e mais importantes perguntas levaram-no a formular outras que se algumas vezes satisfizeram a alguns, não satisfizeram a todos e, por sua vez, provocaram novas perguntas.

Perguntou o homem, sobre si mesmo: Quem sou? De onde vim? A ANTROPOLOGIA procura responder-lhe essa pergunta. E a COSMOLOGIA, que estuda a ordem do cosmos, procura responder-lhe sobre a origem deste, de onde veio, qual o primeiro princípio. E vem a TEOLOGIA, ciência das coisas divinas, para discutir as razões e motivos a favor ou a desfavor da crença de Deus, o ser criador.

E se Deus existe, porque o bem e o Mal? Porque não é diferente o mundo? E dessas perguntas, outra disciplina, a TEODICÉIA (de Theos, Deus, e dikê, justiça, em grego), é a quem cabe responder se há ou não justiça no mundo.

E como sabemos? E vem a GNOSEOLOGIA para explicar-nos o conhecimento.

Como se dá o saber culto? E eis a EPISTEMOLOGIA, que estuda o saber das diversas ciências.

E como formou o homem a sua inteligência? E eis a PSICOGÊNESE, que lhe ensinará e discutirá os problemas referentes à formação do psiquismo humano. E o espírito humano, que é criador, como surgiu? E sobre esse espírito criador surge outra disciplina, a NOOGÊNESE, que estuda a gênese do nous, o espírito, e, finalmente, a NOOLOGIA, a ciência do espírito.

E como funciona esse psiquismo? E eis a PSICOLOGIA, que se encarrega de propor respostas às perguntas formuladas aqui.

Mas, significam as coisas algo, dizem mais do que o fenomênico? E eis a SIMBÓLICA, que examina as significações das coisas.

E há algo mais oculto, que possamos penetrar mais profundamente? E eis a MÍSTICA, que quer responder a essas perguntas.

E as coisas são belas, apresentam em si mesmas algo que lhes dê outro valor. E então é a ESTÉTICA que estudará esse ponto.

E o transcendente? Poderemos alcançar o que está além de nós, além da nossa experiência? E eis a METAFÍSICA GERAL, a ONTOLOGIA, para responder-lhe a tais perguntas.

E como se dão os factos do universo? E temos a CIÊNCIA, que procura explicar o nexo do acontecer dentro de si mesmo, em sua imanência, no que mana em, dentro de si, nas coisas experimentáveis.

E como medir os factos e contá-los? E surge a MATEMÁTICA.

E como compreender o homem em suas relações com os outros? E a ÉTICA, a MORAL, o DIREITO, a HISTÓRIA e a SOCIOLOGIA propõem-lhes respostas.

E como compreender o nexo dos pensamentos e usá-los da melhor maneira para atingir uma iluminação, que nos mostre mais nitidamente os factos? E eis a LÓGICA e a DIALÉCTICA.

E como explicar tudo isso, dar o nexo a tudo, juntar todo conhecimento humano, e analisá-lo num grande corpo, num grande saber, que seja o saber de tudo, que seja o saber dos saberes, e

eis a FILOSOFIA.

É para ela, leitor, que este livro é um convite.

SANTOS, Mário Ferreira dos, Convite à
Filosofia e à História da Filosofia
, 3ª edição,
São Paulo: Logos, 1964, pp. 11-12.
Destaques no original.

Marcadores: ,

quinta-feira, 3 de julho de 2008

YouTube

DCLugi é um dos grandes comediantes perdido em meios aos milhões de vídeos do YouTube, prato cheio para quem entende inglês. Abaixo, seu vídeo mais recente, num raro momento sem falas e portanto apreciável por todos:

E se inglês não é seu problema, não deixe de ver outro de meus favoritos. Como sempre, DCLugi interpreta todos os personagens:

Se você tem uma conta no YouTube, assine o canal. Se não tem, cadastre-se e então assine. Vale a pena!

Marcadores: , , ,

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Mudanças

Um post rápido para informar que mudei de provedor de hospedagem. Há quase três anos eu vinha hospedando meu site com a Hoster, um provedor brasileiro de baixo custo, bastante fácil de usar, e com excelente suporte técnico. Agora o hospedo com a NearlyFreeSpeech (NFS para os íntimos), um provedor americano com custo ainda menor, sem qualquer facilidades técnica (a menos que você seja um programador ou usuário avançado), e também com excelente suporte técnico.

Se meu provedor anterior era bom e não estou reclamando dele, muito pelo contrário, recomendo-o a quem quer que tenha interesse em hospedar um site com o mínimo possível de esforço, então porque mudei? Basicamente, por dois motivos:

  1. Embora a Hoster seja barata, com preços começando em R$15,90, a NFS é mais. Ela não tem plano mínimo, paga-se apenas pelo uso efetivo. Como meu blog não tem gigabytes de textos e imagens, portanto não ocupa muito espaço em disco, nem é particularmente famoso, por isso não consome muita banda-passante, no fim das contas isso significa uma fatura mensal de R$0,20 ou menos (sim, na faixa dos centavos). O fato de eu ser um usuário avançado, claro, ajuda e muito, já que por aqui praticamente tudo envolve configuração manual via prompt de comando.
  2. A política da NFS vem bem a calhar para um site como o meu, já que ela tem como principal ponto forte (o preço baixo vem em segundo lugar) garantir a liberdade de expressão de seus clientes, donde seu nome: "nearly free speech" significa algo como "quase livre expressão". Basicamente, caso certa idéia tenha sua expressão protegida pela Constituição americana -- e os EUA ainda são o país com a mais ampla proteção legal à liberdade de expressão --, não importa o que seja dito, a NFS garante que manterá o site no ar e, se for necessário, defenderá na Justiça o direito de ele continuar disponível, só retirando-o por ordem judicial. Em épocas de politicamente correto exacerbado essa é uma postura mais do que bem vinda.

Portanto, se você se encontra em situação semelhante à minha e deseja um provedor com fortes tendências libertárias, informe-se sobre a NFS. Caso contrário, e deseja um provedor mais tradicional, dê uma olhada na Hoster. Se tem interesse em preços baixos, analise ambas. As duas merecem.

E agora, claro, o disclaimerzinho que se espera: não sou afiliado a nenhuma das duas empresas, o que escrevi acima efetivamente reflete minha opinião, e etc. etc. etc. (Terminar a sentença fica de exercício para o leitor.)

Marcadores: , ,

sábado, 12 de abril de 2008

Proibição de Imagens

Para nós é bastante difícil entender as razões que levam às fortes restrições à produção de imagens de pessoas e seres vivos nas religiões monoteístas. Mas um pouco de Filosofia pode ajudar.

Em todos os povos, em todas as épocas, com a única exceção dos europeus a partir do século XV e daqueles por eles influenciados, o que atualmente inclui a maior parte do planeta, a mente humana sempre foi considerada passiva. O mundo era o elemento ativo, informando continuamente sua existência, suas características, sua realidade, a tudo e a todos. Conseqüentemente, ninguém "tinha" ou "produzia" idéias. Pelo contrário, quem expressava idéias eram as próprias coisas. Nosso papel de elementos passivos era apenas o de receber das coisas as Idéias — com "i" maiúsculo — das quais elas participam. Assim, por exemplo, ao ver um cavalo ou uma cadeira você não apenas recebia estímulos visuais (as cores, os formatos, a posição etc.), mas também recebia delas sua natureza de cavalo, sua natureza de cadeira etc. É como se dispuséssemos de um sexto-sentido capaz de perceber que aquela coisa é aquela coisa, e não outra.

Essas concepções formavam a base tanto do senso comum quanto da Filosofia antiga. E é dela que vem a melhor justificação racional da condenação da arte figurativa. Segundo Platão, no topo da hierarquia das Idéias está a Idéia de Bem, da qual tudo que é belo, e bom, e verdadeiro, participa. A rigor, somente a própria Idéia de Bem é rigorosamente boa, já que tudo o mais, inclusive as demais Idéias, no máximo "participa" de Idéia de Bem, sem no entanto ser ela. O que é o mal, pois, dentro dessa perspectiva? Nada mais, nada menos, do que o afastamento do Bem. O que nos leva a duas conseqüências: a) quanto mais distante algo estiver da Idéia de Bem, pior esse algo será; b) pode-se pensar esse afastamento como uma hierarquia. Observe, portanto, o que ocorre:

  • Temos no primeiro nível a própria Idéia de Bem. Ela é, por definição, a única total e completamente Boa.
  • Logo em seguida vêm as demais Idéias, como a de Grande, Cavalo, Triângulo, Humano, Vida e assim por diante. Elas todas participam quase que imediatamente da Idéia de Bem, além de serem imutáveis, eternas, imortais etc. Podemos dizer que estão a um grau de distância do Puro Bem.
  • Abaixo das Idéias temos o mundo concreto das coisas que nos cercam. Todas as coisas concretas participam de várias Idéias. Um ser humano é, por exemplo, participante das Idéias de Humano, Razão, Vida e muitas outras. Mas ele também participa das limitações do tempo e do espaço, crescendo, se movendo, envelhecendo, morrendo. Por serem participantes das idéias, pois, todas as coisas concretas são participantes indiretas da Idéia de Bem. Elas estão, por assim dizer, a dois graus de distância do Puro Bem.
  • E abaixo das coisas? Aqui temos tudo aquilo que participa apenas das coisas concretas, e não das Idéias que dão origem às coisas. É o reino da arte figurativa por excelência. Por quê? Porque quando um pintor pinta uma cama, ele está imitando aquela cama concreta, daquele quarto concreto, e não a própria Idéia de Cama. A arte figurativa, conseqüentemente, está a três graus de distância do Puro Bem.

Portanto, se o objetivo do Filósofo é o de promover o Bem, ele não pode ver valor na arte figurativa. Muito mais vale pô-la de lado e insistir com os homens para que se foquem na realidade concreta. Ou, melhor ainda, que se foquem no próprio mundo das Idéias, de onde as coisas que consideramos concretas obtém sua realidade. Afinal, na concepção clássica as Idéias são não apenas melhores, mas também mais reais do que todas aquelas coisas que meramente participam delas e as imitam, mesmo porque o Real também é uma Idéia que participa da Idéia de Bem.

O que não significa que todo tipo de arte é interdita. Para Platão, se um quadro busca representar não uma coisa, mas sim uma Idéia, ela é legítima. Um exemplo que ele próprio menciona é a antiga arte grega, desaparecida em sua época, e a arte egípcia. Por quê? Porque em ambas as imagens humanas são sempre, por assim dizer, "genéricas", bidimensionais, e rigorosamente idênticas umas às outras, constituindo-se portanto perfeitos símbolos da Idéia Ser Humano, e não deste ou daquele ser humano em particular.

Sabendo portanto como Platão entende a questão, ele que provavelmente nunca ouviu falar do Judaísmo, ainda que tenha sido provavelmente o primeiro monoteísta grego em sentido estrito, observemos agora o que, precisamente, o Antigo Testamento proíbe:

"Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra." (Êxodo 20:4)

Dada a explicação acima, como não ver que se trata da mesma interdição platônica, e até da mesma exceção? A arte figurativa que tenta imitar coisas ("semelhança do que há em..."), esta não pode. Já a arte que busca representar o mundo das Idéias, como por exemplo no desenho de figuras geométricas, nada contra.

No Islã o princípio é o mesmo:

Como contado por Aisha (a esposa do Profeta):
Comprei uma almofada com figuras (de animais) nela. Quando o Apóstolo de Deus a viu, ficou parado na porta e não entrou. Notei os sinais de desaprovação em sua face e disse-lhe, "Ó Apóstolo de Deus! Arrependo-me diante de Deus e Seu Apóstolo! Que pecado cometi?" O Apóstolo de Deus respondeu, "O que é esta almofada?" Eu disse, "Comprei-a para ti de modo que possas sentar-te nela em reclinares nela." O Apóstolo de Deus disse, "Aqueles que fizeram estas imagens serão punidos no Dia da Ressurreição, e ser-lhes-á dito, 'Dai vida ao que criastes.'" O Profeta acrescentou, "O Anjo da (Misericórdia) não adentra a casa em que existam figuras (de animais)."
(Bukhari, Volume 7, Livro 62, Hadith 110)

Assim como o é no Cristianismo, cujas vertentes tradicionais, seja o Catolicismo Romano medieval, seja a Igreja Ortodoxa, seja a Igreja Copta, tomam o cuidado de sempre desindividualizar toda e qualquer imagem figurativa de modo a não incorrer nem na proibição bíblica, nem na interdição platônica. Como bem explicou ontem um amigo meu, cristão ortodoxo, uma iluminura ortodoxa pode conter o desenho de alguns prédios para indicar que o cenário é uma cidade, mas será sempre apenas o número suficiente de prédios para indicar que se trata da Idéia de Cidade, nunca desta cidade em particular, e os próprios prédios serão distorcidos, para indicar que se tratam da Idéia de Prédio, e não deste ou daquele prédio em particular. Idem para humanos, animais, plantas, terrenos etc.

Agora, voltando a Platão: assim como há um terceiro grau de afastamento, também podemos supor que há um quarto grau, um quinto grau, um sexto grau e assim por diante. Desconfio que se ele voltasse à vida e tomasse conhecimento do que se entende hoje em dia por arte, sua reação seria do mais absoluto horror. Afinal, se a arte que ele critica é a que busca imitar coisas concretas, o que ele não diria, por exemplo, da arte impressionista, que busca expressar uma impressão subjetiva de uma coisa concreta? Ou da moderna arte abstrata, que busca expressar uma percepção particular de um estado subconsciente influenciado por impressões subjetivas? Ou pior ainda, de uma análise desconstrucionista de uma tal arte? Sem dúvida lhes atribuiria os graus subseqüentes, e viraria o rosto em desgosto.

Seja como for, por mais estranhas que nos soem tais proibições e restrições não são nem aleatórias, nem irracionais. Há fortes e sólidas razões por trás delas, ainda que a maioria de seus praticantes as ignorem. Bem entendidas, o desgosto se vai, e se não chegamos à aceitá-las para nós, pelo menos passamos a compreendê-las, e àqueles que as seguem.

Isso, por si só, já vale todo o esforço.

Marcadores: , , , , , ,